Agosto

 

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Aniversário, último dia de férias da pequena (ufa! por isso o sumiço). E começo da preparação para um concurso que acontece mês que vem.

Agosto está repleto, e promete. Agosto é um mês que eu sempre adorei, porque como boa leonina, acho o mês do meu aniversário o mais bacana, sempre achei. Nada de desgosto, é sempre tempo de recomeços. Esse ano especialmente. Eu sempre me sinto renovada em agosto, e cheia de planos. Os ipês estão floridos, as orquídeas que um dia ganhei prometem florescer (tenho várias delas e uma espécie de estufa natural no banheiro aqui de casa!). Agosto para mim é alegria. Começa com meu aniversário, termina com o aniversário do Ale.

Mas como também há o que permanece e amplifica, essa situação do país não me deixa ser totalmente otimista nesse agosto. Uma rápida olhada nos jornais, fico estupefata com o nível de canalhice, é de enojar mesmo, a forma torpe como tentam manipular as informações, é de enojar o desserviço que se tem feito, estimulando no país um clima de imbecilidade que parece não ter limites.

Vi que alguém empunhou um sei lá o quê (livro?) dizendo que professor não é educador. Vejo meus colegas compartilharem cortes e mais cortes nas universidades federais (corte de internet? é um grande pesadelo e vamos acordar, não é possível). E fica difícil ter fé na vida, ou nesse país. Mas é agosto, e por mais que signifique remar contra a maré, há que olhar para frente. Vamos lá.

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Despertar

“Tá na hora de acordar, sinhazinha
Tem muito o que fazer…”

Essa música maravilhosa do Chico, despertar. Tem dias que eu nem quero acordar, porque né. Tem muito o que fazer. Mas no fundo, é menos a quantidade de coisa, e muito mais a dificuldade de organizar, priorizar. A vida que vai parecendo uma avalanche e a gente correndo atrás. Isso me cansa um bocado.

Porque tem trabalho, tem carreira. E tanta coisa. Congresso, artigo, escreve para editora – essa tese vira livro? E faz pós-doc, ou presta concurso? Mas presta concurso onde? Não precisa publicar artigo e livro e fazer pós-doc antes? Mais um congresso, mais um artigo, o tempo passa. Paga inscrição, compra passagem, reserva hotel.

Opa. Mas como é que faz para pagar tudo isso?

É, tem que trabalhar. Sempre tem uma consultoria aqui, outra ali. Mas toma tempo. E viaja, e relatório, e mais trabalho. E filha pequena, e escola e alimentação, e brincar. E funcionária para ajudar na dinâmica toda da casa. Como tá difícil fechar o orçamento, e pagar tanta conta. Não dá para viver mais simples?

Tá na hora de acordar, sinhazinha. Que eu não chamo uma outra vez.

 

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Bagunça

 

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Eu arrumo a cama (e a casa) para tentar arrumar a minha bagunça interna. A cama bagunçada faz eu me sentir bagunçada toda. Ontem cheguei em casa, com fome, nhoque comprado para nem perder tempo cozinhando – a fome era grande de fato. Mas quando entrei em casa, primeiro arrumei a cama, dei uma ajeitada na bagunça dos brinquedos e nas coisas todas que ficaram desarrumadas pela manhã. O nhoque quase esfriou. A questão é que eu queria almoçar com a casa minimamente arrumada; assim eu me sinto melhor.

Não é o caso para o Ale. A bagunça não o incomoda. Eu demorei para entender isso, e claro, foi motivo de dissenso entre nós no começo de casa conjunta. A ideia de arrumação padece de uma arrogância: assim é o certo, o certo é arrumar. Precisou de tempo para eu perceber que arrumar era importante para mim, não para ele. Quem deixa o nhoque esfriar para comer em uma casa minimamente arrumada? Vai dizer que isso é certo?

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Chandon

 

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Ale viajando, a pequena dormindo. E aqui, a tela e eu, eu e a tela. E na cabeça aquele artigo que eu tenho que escrever. Porque é sempre assim. A gente manda o resumo para o Congresso. Os tempos são tão longos. Meses para receber o aceite, mais meses para escrever o texto. Parece a eternidade. Coisa boa é ter texto aceito e a gente ter meses para escrever. A gente se sente ótima. Toda prosa. Texto aceito, congresso concorrido, meses para escrever.

Até que chega aquele momento (hoje) em que você tem nove dias para escrever. Como pode ter nove dias para escrever? Como pode deixar chegar nesse ponto? Que espécie de embuste sou eu? Ó céus, ó vida. Eu e a tela, a tela e eu. Ale viajando, pequena dormindo. E por algum desses milagres indecifráveis, vejam vocês. Tem uma mini garrafinha de Chandon Brut na geladeira. Como foi parar lá, não faço ideia. Eu jamais compraria uma garrafinha pequena dessas, hohoho. Mas está lá. Quer dizer, estava. Por que, né? Vou beber. Nove dias. Ninguém merece.

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Tempero

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Terças e quintas, a menina almoça na escola. Mas encrenca, porque nem sempre gosta da comida. Eu então pensei em mandar comida de casa, o que não é muito prático; por outro lado, o pai acha que ela pode experimentar mais um pouco a comida na escola e com isso socializar mais com os amigos e provar novos sabores – o que é verdade, passou a comer gelatina e alface assim. Mantemos a comida da escola, e combinei com ela que antes eu olho o cardápio, e se for algo que ela de fato não gosta, mandamos de casa.

A questão é que hoje eu tinha me esquecido de olhar o cardápio. E de manhã, naquela correria, ela: mamãe, qual o cardápio hoje? Eu: quê?  O Almoço, o que tem para comer na Alecrim hoje? Muito bem, eu não sabia. Então eu disse que esqueci, me desculpei, enfim. Aí ela começou a argumentar que a comida da escola nem sempre é boa. Mas ela não acha boa mesmo quando é algo que gosta e eu encanei muito, então liguei para uma antiga professora dela,  que é tipo uma espiã, rsrs. Uma querida que se tornou minha amiga, trocamos figurinhas muitas, e eu perguntei: o que há de errado com a comida? Então ela me diz que não há nada de errado. A comida é ótima, saudável, as crianças adoram. A única coisa que ela repara quando almoça lá é que a comida não é muito temperada, o que é razoável, já que as crianças não gostam de tempero.

Bingo. É isso. A única coisa que ela repara é uma das principais. A menina gosta de tempero. Nós gostamos de tempero, usamos mil e uma coisas, a pequena navega de pimenta vermelha a cardamomo numa boa, come coentro e tudo mais. A comida insossa, de fato, não lhe apetece.

 

 

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Namorados

kellen e ale 2007

Essa é uma foto antiga. Primeiros seis meses de namoro, mas eu diria que o segundo mês no Brasil – os primeiros meses mesmo foram em Moçambique, quem me conhece de outros carnavais, quer dizer, outros blogs, deve lembrar da longa história.

Tenho certeza que ele não ia gostar muito dessa foto, que de fato não é boa como foto. Mas olha que eu até consegui melhorá-la um tiquinho, com meus parcos conhecimentos de edição, aprendidos ao observar esse moço trabalhar suas fotos. Sim, ele é fotógrafo.  Sacaram o sacrilégio que é eu publicar essa foto, né? Mas, assim é a vida. Para mim essa foto diz muito.

A foto é antiga e eu quase não me reconheço. Nove anos se passaram desde que nos conhecemos e parece que passou uma vida toda. Ou passou mesmo? E essa é a força dessa foto? Parte de uma vida passa pelos meus olhos quando eu me olho menina nessa foto, e olho para esse moço, e olho para nós dois.

Nesse dia eu estava insegura. O namoro ia mas não ia. Eu morava sozinha, ele também. Estávamos num bar, com o pessoal da firma. Daí fomos para a minha casa. O que eu me lembro desse dia? Eu estava insegura. Pode até ter rolado uma DR nesse dia, não lembro bem. E por que essa foto, então? Porque nove anos se passaram e nós construímos muitas coisas. Construimos e desconstruimos, para continuar, para caminhar, para criar espaços de estar junto e de estar só, estando junto. Para cuidar de uma filha, para construir uma casa nossa. A gente constrói isso a cada dia e muitas vezes precisa desfazer coisas para que caibam outras. É incessante o processo. Hoje eu queria celebrar esse processo. Ano passado eu finalizei um doutorado, nossa filha com 3 anos, foi um perrengue. No dia dos namorados estava há 1 mês de entregar a tese. Lembro que a gente correu para jantar, num restaurante que reservei de última hora, quando lembrei no meio da tarde: hoje é dia dos namorados. Na volta para casa, os dois exaustos: vamos dormir? E capotamos imediatamente, que bom a avó cuidando da filha, ahhh! Lembrei disso agorinha.

Então hoje eu quero celebrar essa menina, esse moço, que há nove anos deram as mãos e seguiram nessa estrada. Eu gosto do caminhar, da forma como ele se apresenta.

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Chuvinha

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Eu gosto dos dias de chuva quando posso ficar em casa, e ontem foi um dia desses, de chuva, trabalhando em casa. Frio, muito frio, filha saindo de uma infecção no ouvido, então não rolou escola, ficamos em casa as duas. E eu achei curioso como a gente vai apresentando o mundo aos filhos. Porque frio, chuva, não vai à escola, e ela: o que eu vou fazer mamãe? Para mim, era óbvio. Aproveitar que você pode, Dora, e se enrola na manta mais gostosa, deitadinha no sofá, vai ver um filminho. Mas veja só, para ela não é óbvio que é isso ue se faz num dia de chuva preguiçoso. Então fiz todo o ritual, apresentei a ela a delícia das delícias, que só não teve pipoca porque a mãe aqui não sai de seu papel, e claro, não ia dar pipoca para a menina de manhã, onde já se viu, aí que não almoça mesmo. Questão foi que a pequena amou, e por umas duas vezes ela levantou do sofá só para vir ao escritório, me beijar e voltar correndo para o filminho. Esse jeito tão gostoso que criança tem de agradecer.

Ah, mas é claro que o ritual permitiu que eu trabalhasse pela manhã com criança de 4 anos em casa. É claro 😉

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